14 de julho de 2013

O que me retém

O que me retém não é o medo da vida. Não! Também não é o eterno desentendimento entre aquilo que recebo dela e aquilo que julgo ser justo receber. Nesse ponto haverá sempre um impasse, mas, ao final de cada ciclo, a gente acaba se entendendo… O que me retém mesmo é o meio do caminho que existe entre o seguir e o ficar. E o meio do caminho quase sempre é um passo curto rumo à casa da incerteza. E a incerteza é o que mais me retém.
O que me retém não é a exigência de um posicionamento seguro diante das circunstâncias. O que me retém é a escolha… É ter que escolher e vestir a personalidade certa para dar conta delas: Posso ser firme como uma rocha e não sair do lugar; ou ser leve como uma pluma, e ir aonde o vento da vida quiser me levar. Porque, algumas vezes, contrariando as circunstâncias todas, o vento da vida segue junto, na mesma direção, e nos leva aonde desejamos chegar. Outras tantas, o vento da vida sopra na direção contrária dos nossos desejos e aí, o conflito é o pouso certo… Nesse caso, o que me retém é o peso incalculável da dúvida.
Não! O que me retém não é a sensação de vazio. Porque vazio é nada; e o nada não absorve; não filtra; não preenche… E um coração que sente, não permanece inabitado por muito tempo – e pulsa intenso, até na inexistência. O que me retém é a ausência atrás da porta, quando enfim encontro a tão desejada saída, após ter me perdido dentro de um imenso labirinto emocional. Porque no fundo, no fundo, o que todo mundo quer após se perder, é encontrar nos braços abertos de alguém a paz que conforta.
No meio de tudo o que existe, mas foge ao meu alcance; no meio de tudo o que vejo, mas não enxergo com clareza; no meio de tudo o que sinto, mas não consigo traduzir, há sempre alguma coisa capaz de me reter. E me retém. Mas, no meio dessas coisas todas – que eu encontro dentro e fora de mim, aquilo que me retém de fato, é a pouca intensidade da força interior que disponho no momento certo avançar.

Érica Gaião

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